Comentários Eleison: DEUS É EGOÍSTA?
Número DCCXCII (792) – 17 de setembro de 2022
DEUS É EGOÍSTA?
Se o amor não for dado livremente, há algo errado.
Deus quer que sejamos livres para optar, ou não, por Sua bem-aventurança.
Um leitor escreveu-nos trazendo uma objeção à bondade de Deus, que sabe ser falsa, mas que, no entanto, o perturba, e para a qual ele não encontrou durante muito tempo uma resposta que o satisfizesse. Eis o problema:
1 Ordenar a alguém: “Ama-me, ou estourarei os seus miolos”, tanto é egoísmo, porque é egocêntrico, como ridículo, porque as ameaças não podem produzir o amor verdadeiro.
2 Mas Deus diz exatamente isso quando diz às Suas criaturas humanas: “Se vocês não Me amam, vão para o inferno”.
3 Portanto, Deus é egoísta e ridículo (é Satanás quem diz isto).
Para responder a essa objeção ao amor de Deus, vejamos primeiramente qual é a verdade sobre o que Deus diz às Suas criaturas humanas quando, criando Ele mesmo suas almas imortais e infundindo-as nos corpos materiais formados pelo pai e pela mãe humanos de cada uma delas, Ele traz os seres humanos à existência: “Meu querido filho, ao dar-te vida e livre-arbítrio, quero que faças uso de tua vida na terra para que, quando morreres, tenhas merecido compartilhar Minha felicidade eterna comigo em Meu Céu. Mas não vou forçar-te a vir para o Meu Céu, porque se eu te forçasse, faria de ti um robô, e os robôs não podem desfrutar do Meu Céu. Deixar-te-ei inteiramente livre para não vir ao Meu Céu se não quiseres fazê-lo. Escolher o inferno será uma decisão totalmente tua.
Ora, é verdade que influências poderosas como o mundo, a carne e o diabo farão o possível para que tu prefiras o Inferno ao Céu, e é verdade que a maioria dos homens a quem dou a vida acaba preferindo o Inferno ao Céu; mas em todos os casos isso terá sido tua própria e livre escolha, e eu não te forçarei a escolher o Inferno mais do que forço qualquer um a escolher o Céu. E note que quanto mais maléficas forem as influências a que aqueles que forem salvos terão resistido para preferir o Meu Céu, tanto mais glorioso e feliz será o Céu para eles. Assim, o mal tem um propósito e, embora eu não o queira, eu o permito, precisamente para que possa fazê-lo servir à bem-aventurança eterna daqueles que recusam o mal.
E se me objetas que no mundo moderno a confusão e o mal são avassaladores e são fortes demais para que muitas almas possam resistir, eu te respondo que sempre que o mal se torna realmente muito grande, como no tempo de Noé (que seguiu resistindo a ele), posso intervir, como fiz com o Dilúvio. De fato, o Dilúvio salvou para a eternidade muitas almas que, de outra forma, teriam cedido à corrupção, e por isso foi um grande ato de Minha Misericórdia. Em pleno século XXI, esperem que Eu lhes dê um grande Aviso, anunciado notavelmente pelas quatro meninas de Garabandal, na Espanha, nos anos 60. Será de grande ajuda contra toda a confusão para a salvação através de Jesus Cristo, mas somente se as próprias almas escolherem livremente que querem ser salvas.
Agora apliquemos essas verdades às três proposições da objeção original anterior.
1 Dizer a alguém “Ama-me ou te matarei” é egoísmo se aquele que diz isso o faz principalmente para ser amado. Mas Deus, em Si mesmo, está em bem-aventurança absoluta e imutável. Somente externamente a Si mesmo Ele ganha algo pelas almas que compartilham Sua bem-aventurança. Essa bem-aventurança Ele deseja para elas principalmente pelo bem delas mesmas, não para Si mesmo. Então, não há egoísmo, e tampouco Deus é ridículo. É claro que Ele não quer um amor forçado. Ele nos deixa totalmente livres para amá-Lo, ou não.
2 É verdade que se não amarmos a Deus como deveríamos, de modo a morrermos em estado de pecado mortal, teremos merecido o Inferno. Mas uma vez no Inferno, grande parte da tortura será ver com a maior clareza com que facilidade eu poderia ter salvado minha alma, com toda a ajuda e todas as graças que Deus me deu em minha vida na terra. Mas livremente escolhi não querer Sua ajuda, e por isso o que estou sofrendo agora é totalmente culpa minha.
3 Portanto, Deus não está de maneira nenhuma dizendo: “Ame-me, ou estourarei os seus miolos”. Ele não é egoísta nem ridículo.
Kyrie eleison.
Aquele que levanta os mortos - Homilia do 15º Domingo depois de Pentecostes
Intróito/ Ps. 85, 1 e 2-3.
25.Se vivemos pelo Espírito, andemos também de acordo com o Espírito.26.Não sejamos ávidos da vanglória. Nada de provocações, nada de invejas entre nós. 1.Irmãos, se alguém for surpreendido numa falta, vós, que sois animados pelo Espírito, admoestai-o em espírito de mansidão. E tem cuidado de ti mesmo, para que não caias também em tentação!2.Ajudai-vos uns aos outros a carregar os vossos fardos, e deste modo cumprireis a lei de Cristo.3.Quem pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo. 4.Cada um examine o seu procedimento. Então poderá gloriar-se do que lhe pertence e não do que pertence a outro.5.Pois cada um deve carregar o seu próprio fardo.6.Aquele que recebe a catequese da palavra, reparta de todos os seus bens com aquele que o instrui.7.Não vos enganeis: de Deus não se zomba. O que o homem semeia, isso mesmo colherá.8.Quem semeia na carne, da carne colherá a corrupção; quem semeia no Espírito, do Espírito colherá a vida eterna.9.Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos.10.Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens, mas particularmente aos irmãos na fé.
Sequência do Santo Evangelho
São Lucas 7,11-16
Comentários Eleison: A REALIDADE DE AQUINO
Número DCCXCI (791) – 10 de setembro de 2022
A REALIDADE DE AQUINO
Leia Tomás de Aquino no original em latim.
O maior curador de mentes que se pode imaginar!
Em um único artigo de sua sensata Summa Theologiae (I, 85, 2), Santo Tomás de Aquino refutou, com cerca de 500 anos de antecedência, o absurdo de Kant e de seus numerosos seguidores nos tempos modernos, que afirmam que nossas mentes humanas só conseguem conhecer as aparências das coisas que nos rodeiam. Segundo Kant, os seres humanos não podemos conhecer a realidade das coisas no sentido de como elas realmente são por trás de suas aparências. A coisa como ela é em si mesma, em alemão “das Ding an sich”, é absolutamente incognoscível para nós. Nesse caso, cabe perguntar-se: como podemos ao menos saber que existe alguma “Ding an sich” por trás das aparências das coisas? De fato, os seguidores de Kant não prestaram mais atenção a nenhuma suposta realidade em si mesma, ou realidade extramental, e a “filosofia” moderna entrou para a Alice no País das Maravilhas do sorriso do Gato de Cheshire que continua na árvore depois que este já desapareceu. Adeus, realidade. Bem-vinda, literalmente, qualquer fantasia imaginável!
O Aquinate tem dois argumentos sensatos para atirar o pobre Kant para fora do ringue. Por exemplo, vejo um cavalo em um prado. Ora, o cavalo obviamente não está dentro da minha cabeça, mas tão somente uma representação do cavalo. Ora, é essa representação do cavalo pela qual eu conheço o cavalo, como uma janela sobre o cavalo mesmo, de modo que o próprio cavalo seja o que eu conheço; ou é essa representação mesma o que eu conheço, como uma pintura do cavalo que retrata o cavalo, mas não me dá nenhuma visão do próprio cavalo? Para o Aquinate, as representações em nossa mente são como janelas para a realidade fora de nossas mentes. Para Kant, elas são como pinturas por trás ou além das quais não podemos ver nada. Para o Aquinate, elas são por meio das quais conhecemos, para Kant são o que conhecemos.
Primeiro argumento de Aquino: se conhecemos somente o sorriso do gato e não o próprio gato, por assim dizer, como podemos ter algum conhecimento ou ciência dos gatos ou de qualquer realidade extramental? Não há mais ciência nem conhecimento da realidade fora de nossas mentes. Mas se não conhecemos nada fora de nossas mentes, mas apenas nossas próprias representações, dentro de nossas mentes, então é o fim de qualquer conhecimento da realidade, e o fim da ciência. É claro! Muitos “cientistas” contemporâneos terminam perdendo o controle da realidade de sua própria “ciência”, porque, como quase todo o mundo de hoje, eles permitiram que o kantismo corrompesse seu juízo.
Segundo argumento: se conhecêssemos apenas as representações em nossas mentes, então toda representação seria verdadeira, porque a verdade consiste na conformidade entre nossas mentes e a realidade fora delas. Mas se não pudéssemos conhecer nada além de nossas próprias representações, não teríamos acesso a nenhuma realidade exterior para poder dizer se nossas representações se conformam ou não a ela. Assim, todos os juízos de nossas mentes baseados em nossas próprias representações se tornariam verdadeiros, porque estariam em conformidade com eles mesmos. Assim, Paulo poderia julgar que o mel é amargo enquanto Pedro poderia julgar que é doce, e ambos estariam com a razão! Nenhum deles teria acesso a qualquer realidade objetiva além de suas próprias representações para resolver o choque de suas opiniões contraditórias. Aqui morre a lei da não-contradição, aqui morre a possibilidade de discussão, aqui morre todo pensamento objetivo, e aqui nasce a “filosofia” moderna.
E, chegando ao auge da objetividade, o Aquinate continua no mesmo Artigo explicando que, na vida real, a forma mesma do objeto fora de nossas mentes, que dá a esse objeto sua existência, é o que também in-forma nossas mentes, dando a nossas mentes a existência mesma de seus pensamentos. Em outras palavras, nossas mentes não só são capazes de captar a realidade extramental, mas também são incapazes de funcionar sem ela (pelo menos na origem de seu pensamento). Portanto, a própria base do pensamento humano deve ser objetiva, e a essa base (na medida em que é cognoscível) se pode recorrer para dirimir qualquer choque de opiniões subjetivas; e a lei na realidade objetiva da não-contradição – nada pode ser e não ser no mesmo sentido e ao mesmo tempo – é também a base do nosso pensamento. Assim, nossas representações da realidade são enfaticamente janelas que apresentam fielmente a realidade fora de nossas mentes, e não pinturas que bloqueiam nossa visão de qualquer realidade além ou por trás delas, como pretende o abominável Kant, para a ruína de qualquer captação da realidade e de qualquer pensamento objetivo.
Kyrie eleison.
Comunismo: a pior das revoluções - Pe. Joaquim
Homilia do 14º Domingo depois de Pentecostes
16.Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne.17.Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne; pois são contrários uns aos outros. É por isso que não fazeis o que quereríeis.18.Se, porém, vos deixais guiar pelo Espírito, não estais sob a lei.19.Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem,20.idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos,21.invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus!22.Ao contrário, o fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade,23.brandura, temperança. Contra estas coisas não há lei.24.Pois os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e concupiscências.
São Mateus 6,24-33
Texto: Escravas de Maria
Comentários Eleison: O QUE É REALIDADE? – II
Por Dom Williamson
Número
O QUE É REALIDADE? – II
Deus abençoe os professores que ensinam tal como vivem,
Que não produzem ideias estúpidas.
O que estes “Comentários” sugeriram fortemente na semana passada é que, a julgar pelo que é a realidade, o senso comum é muito superior aos chamados cientistas e intelectuais. Quanto aos “cientistas”, isto se deve ao fato de as suas mentes estarem, normalmente, confinadas à matéria, ou às coisas materiais. Das coisas espirituais ou “invisíveis”, como diz o Credo Niceno, a maior parte de suas mentes não tem nem ideia. Isso faz com que sejam maus juízes da realidade na parte mais elevada desta. Quanto aos “intelectuais”, a maior parte de suas mentes está aprisionada por Kant (1724-1804), rei virtual dos departamentos de filosofia das “universidades” modernas, que fazem questão de desprezar o senso comum. Isso porque o nosso senso comum pode ser definido como a nossa compreensão natural, e dada por Deus, das realidades que nos rodeiam entre o nascimento e a morte; e especialmente desde o final do século XVIII, o homem tem feito guerra a Deus e à natureza. É por isso que, hoje, o senso comum está sendo constantemente varrido da mente dos homens pelos seus supostos líderes, de modo que, por exemplo, os homens devem ser femininos e as mulheres devem ser masculinas, e as crianças devem mudar de sexo.
No entanto, como pode o que o homem comum ainda tem de bom senso fazer frente aos estudos e ao saber dos “filósofos”? Não seria como se um time de futebol amador quisesse derrotar um time de profissionais? Normalmente, assim como os profissionais de qualquer esporte derrotarão facilmente os amadores, os homens comuns seguirão seus líderes, e aquele que pretender seguir o seu bom senso na sociedade atual será facilmente persuadido de que está errado. Contudo, Aristóteles (384-322 a.C.), um filósofo verdadeiramente grande por sua análise da realidade ainda hoje em grande parte válida, disse uma vez dos seus colegas: “Não há estupidez que já não tenha sido exposta por algum filósofo”. Assim, quando se trata dos princípios filosóficos da vida, os profissionais nem sempre têm razão.
Distingamos dois significados da palavra “filosofia”. Pode significar a atividade intelectual de homens que pensam, estudam, leem e escrevem livros frequentemente nas universidades, ou seja, os filósofos profissionais. Ou a filosofia de um homem pode significar os princípios pelos quais, consciente ou inconscientemente, ele vive, e uma vez que nenhum homem pode existir sem ter alguns desses princípios para viver, então, neste segundo sentido, alguma filosofia pertence a todo o homem vivente, amador ou profissional.
Ora, esses dois sentidos não são iguais. No primeiro sentido, se um filósofo está a escrever um livro, pode estar a fazê-lo por uma variedade de motivos que não o de analisar a realidade. Pode estar escrevendo filosofia para ganhar a vida, ou para ganhar dinheiro, ou para tornar-se famoso, e assim por diante. E, nesse caso, pode ou não acreditar no que está a escrever, pode estar escrevendo o que sabe ser um disparate, muito distante do que sabe ser real. Em todo caso, quer que as pessoas o levem a sério, pelo que deve, pelo menos, fazê-las pensar que está a escrever o que acredita ser real. Logo, posso não saber se ele está sendo verdadeiro ou não.
Assim, se eu quiser saber o que o filósofo profissional realmente pensa, recorrerei ao segundo sentido da palavra, e em vez de ouvir o que ele diz, ou apenas ler o que ele escreve, observarei como ele vive, porque isso me dirá o que ele realmente pensa. Eis, naturalmente, a razão pela qual o exemplo pessoal é muito mais revelador e persuasivo do que meras palavras. Se o Arcebispo Lefebvre fez tantos bons sacerdotes, foi, sobretudo, pelo seu próprio exemplo. Assim, se eu quiser saber o que um determinado filósofo efetivamente pensa ser a realidade, observarei as suas ações em vez de ouvir as suas palavras.
Finalmente, chegamos a esses “filósofos” que ensinam, seguindo Kant, que a mente humana não pode conhecer o que está por detrás das aparências das coisas. Como é que eles agem? Será que vivem como se não soubessem o que é a água para lavar ou o café para beber? É claro que não. Como poderia Kant ter caminhado todas as manhãs para a Universidade de Königsberg se não soubesse a diferença entre uma porta e uma parede, entre uma escada e uma cadeira? Nunca poderia ter vivido se tivesse levado a sério as suas próprias estupidezes. A enorme vantagem de Santo Tomás de Aquino é que o seu sistema corresponde ao senso comum. O “Doutor Comum” de Deus corresponde ao sentido comum dado por Deus.
Kyrie eleison.
Missa Tridentina em Salvador - Homilia do 13º Domingo Depois de Pentecostes
DOAÇÕES para o PIX: 13.501.481/0001-60
Ou
--- Banco do Brasil
--- Familia Beatae Mariae Virginis
--- CNPJ: 13.501.481/0001-60
--- Agência: 3449-5
--- Conta Corrente: 47.119-4
OBS: Enviar comprovante para o email fbmvnsf@gmail.com
Para melhor aplicação dos recursos, pedimos o favor de nos enviar o comprovante ou nome do titular com a quantia para o email acima, bem como por meio dele solicitar o recibo para dedução de impostos.
Sobre dedução de impostos vide:
https://www.youtube.com/watch?v=m1OsWGbxevA
_____________________________________________________
🙏Que Nosso Senhor Jesus Cristo vos pague a caridade!🙏
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
QUEM SOMOS:
A Família Beatae Mariae Virginis – F.B.M.V. (cujos membros são chamados Marianos) é uma comunidade religiosa católica que surgiu em Salvador (capital do estado da Bahia, no Brasil), no ano de 1969, quando um professor e alguns alunos de um curso de catecismo de um colégio da periferia de Salvador decidiram fazer reuniões de estudo e de oração como uma maneira de aprofundar os ensinamentos de doutrina católica recebidos. Pouco a pouco nasceu a idéia de uma vida em comum e, no dia primeiro de novembro, se fizeram os primeiros compromissos, que não tinham nenhuma força de voto. Após diversas peripécias, o pequeno grupo se estabeleceu na zona rural da cidade de Candeias (região metropolitana de Salvador, a 40 km desta capital), em 1974, onde até hoje se encontra. A F.B.M.V. conta hoje com 8 membros, dos quais 7 têm votos perpétuos, inclusive 2 sacerdotes.
Uma vocação monástica centrada sobre a fé católica.
Os membros dessa comunidade assumem a prática comum dos conselhos evangélicos de Obediência, Pobreza e Castidade, fazendo além disso um voto de Estabilidade; esse voto é uma peculiaridade da F.B.M.V. Não se trata do voto de Estabilidade da Ordem Beneditina. Por Estabilidade se entende uma firme adesão da inteligência à Fé Católica e a todas as suas conseqüências individuais e sociais, em todos os aspectos do ser, do pensar e do agir humano. Para realizar esse ideal, a F.B.M.V. se configura como uma comunidade de vida monástica, vivendo afastada da cidade e dedicando-se a trabalhos agrícolas, ao estudo e à oração.
No ano seguinte à sua fundação foi promulgado o Novus Ordo Missae, peça-chave da Reforma Litúrgica pós-conciliar. Infelizmente, por não compreender bem a questão da obediência devida às autoridades eclesiásticas e não saber da existência e gravidade de Quo Primum Tempore, os Marianos se sentiram forçados a adotar a Nova Missa, embora tomando muitas precauções para evitar o contágio do progressismo. Apesar disto, o contacto com os meios modernistas, por mais restrito que fosse, não deixou de produzir seus frutos amargos, e quase todos os membros iniciais desertaram. Mas outros foram-se juntando pouco a pouco, e, em 1997, com o conhecimento da Bula Quo Primum Tempore de São Pio V e uma graça especial, nós passamos a celebrar no rito tradicional. Foi quando, tomando melhor conhecimento do movimento mundial tradicionalista, a ele nos associamos. Nosso segundo sacerdote foi ordenado no Seminário de La Reja, na Argentina, pertencente à Fraternidade São Pio X, e os quatro bispos da Fraternidade já nos honraram com suas visitas, além de vários padres da F.S.S.P.X. e de comunidades amigas.
Cabe aqui lamentar que após a morte de Dom Marcel Lefebvre, a F.S.S.P.X. iniciou uma serie de aproximações com a Roma Conciliar, o que os levou a concessões inadmissíveis, pelo que dela (Fraternidade) nos afastamos.
Práticas, devoções e atividades.
Cada Mariano reza o Breviário Romano inteiro e em comum, a partir do levantar às 5:00. A Santa Missa no rito Tridentino é celebrada às 6:30h. Nos domingos às 5:30h e às 8:00h. Também, desde os primórdios, nós recitamos diariamente em comum o Santo Rosário (3 Terços), devoção fundamental para nossa vocação. Temos o hábito de fazer uma vigília do sábado para o domingo e de quinta para sexta-feira (ao menos um irmão).
Apesar de termos um ideal de vida preferencialmente contemplativo, a afluência de fiéis que vêm a nós fugindo dos descalabros e abominações que se multiplicam nessa crise na Igreja Católica, nos leva a dedicarmo-nos bastante a atividades apostólicas. Para atender ao povo, estamos construindo uma capela que tem capacidade para 150 fiéis (já em uso, porém não completamente terminada); a confissão é muito freqüente, e nós mantemos também várias classes de catecismo para crianças e adolescentes e adultos.
-----------------------------------------
✝️ Missa tridentina
⏱Seg a sáb: início entre 6:20h e 6:30h (missa rezada)
⏱Domingos: 8:00h (missa com cânticos)
________________________
Familia Beatae Mariae Virginis (F.B.M.V.)
Mosteiro de Nossa Senhora da Fé e Rosário - Candeias - Bahia
Comentários Eleison: O QUE É “REALIDADE”? – I
Número DCCLXXXIX (789) – 27 de agosto de 2022
O QUE É “REALIDADE”? – I
Os comunistas, os “cientistas”, amam o sistema de Kant,
Mas os católicos só podem odiar seu discurso irreal.
A pergunta não poderia ser mais básica, e, no entanto, na confusão planejada de hoje, a resposta se torna cada vez mais incerta, e são os próprios “cientistas” que estão turvando as águas, como fica claro em um recente artigo que apareceu na seção “positive news [notícias positivas]” da edição online de 21 de agosto do “Epoch Times”. O artigo é intitulado “Is Reality a Hologram? A Social Agreement? Or Just in Your Mind? Scientists Explain What Reality Realy Is [A Realidade é um holograma, um acordo social, ou está apenas em sua mente? Cientistas explicam o que a realidade realmente é]”. Mal podemos esperar para descobrir o que realmente é a realidade! Portanto, vejamos algumas citações do artigo dos “cientistas” e acrescentemos a cada uma delas um comentário católico.
1 Albert Einstein (1879-1955). Pouco antes de sua morte, ele é citado como tendo dito: “A realidade não é mais que uma ilusão, embora muito persistente”. A realidade a que Einstein se refere aqui é, sem dúvida, a realidade fora da mente, ou a realidade extramental, e é claro que uma multidão de seres humanos está convencida de que o mundo que a rodeia está fora, e não apenas dentro, de suas próprias mentes. Isso é bom senso, mas é claro que o “cientista” moderno pensa que está acima do senso comum, e está convencido de que sua “ciência” sabe mais e melhor. No entanto, como Einstein parece reconhecer, o senso comum é “muito persistente”. Qualquer homem comum sabe que seu cachorro não é apenas uma invenção de sua própria imaginação, de sua mente.
2 Werner Heisenberg (1901-1976). Pioneiro da mecânica quântica, usa-se dele a seguinte citação: “As mesmas forças ordenadoras que moldaram a natureza em todas as suas formas são também responsáveis pela estrutura de nossas mentes”. Embora esta afirmação tenha um sentido verdadeiro (Deus fez tanto a realidade extramental como as mentes humanas para compreender essa realidade), na realidade está sugerindo que nossas mentes, por sua natureza, não podem ajudar a moldar aquilo que compreendem da "natureza" extramental; em outras palavras, nossas mentes não podem conhecer a realidade extramental como ela é em si mesma, independentemente de nossas mentes. Esta sugestão é completamente falsa, porque o que ele chama “forças organizadoras”, e o que os católicos chamam “Deus”, formaram nossas mentes precisamente para conhecer a realidade extramental tal como ela é em si mesma, e não como foi moldada por nossas mentes no processo de conhecê-la. Por si mesmas, nossas mentes estão em branco.
3 Peter Russell (nascido em 1946). Físico e autor religioso que pretende combinar a ciência com a espiritualidade, é citado dizendo: “A ilusão surge quando confundimos a realidade que experimentamos com a realidade física, a coisa-em-si”. Ora, este escritor está aberto à “espiritualidade”, então não é um materialista em absoluto, mas sim um kantiano, separado da realidade extramental, porque o que ele diz aqui é que o que nós, seres humanos, “experimentamos da realidade” não é a mesma coisa que a realidade extramental, que ele chama aqui “realidade física” ou “a coisa-em-si”, na própria linguagem de Kant, “das Ding an sich”.
Em outras palavras, assim como Einstein, assim como sugeriu Heisenberg e sugerem tantos “intelectuais” e “cientistas” de hoje, mas em sentido contrário em relação às pessoas comuns que ainda têm algum senso comum, Russell está aceitando a louca proposição do "filósofo" alemão Immanuel Kant (1724-1804) de que a mente humana é intrínseca e absolutamente incapaz de conhecer o que qualquer coisa é, e só podemos conhecer suas aparências, enquanto são nossas próprias mentes que fabricam dentro de si o que é a coisa-em-si mesma, por trás ou além dessas aparências (ou fenômenos). Daí que tantos “filósofos” modernos se tenham deixado levar pela fenomenologia. No entanto, quantos desses fenomenólogos terão criado seu próprio cão, em cuja realidade extramental eles jamais duvidaram nem por um momento! O cachorro tinha que ser alimentado todos os dias, tinha que ser absolutamente impedido de exercer certas funções naturais dentro de casa todos os dias, etc.
Essa paralização da mente humana por Kant – e ele estava simplesmente sistematizando a apostasia da Europa que o rodeava – é crucial para os católicos e para qualquer pessoa que queira salvar sua alma. Como posso levar a sério qualquer Deus extramental se não há realidade extramental que eu possa conhecer? Quando o Exército Vermelho invadiu a cidade de Kant, Koenigsberg, em 1945, destruiu todos os tipos de coisas, mas respeitou cuidadosamente todos os monumentos de Kant, que podem ser vistos até hoje... Não percam os Comentários Eleison da próxima semana!
Kyrie eleison.

